domingo, 11 de maio de 2014

Quando a festa terminar

É noite de carnaval, a euforia toma conta da cidade. Estou bem próximo da festa, não como folião mas em pleno exercicio de minhas funções como agente do Estado. Se não fosse por este motivo, certamente não teria outro para me fazer presente e por isso anseava muito pelo término da festa, a fim de que pudesse voltar logo para casa.
Encontro então um jovem conhecido, de orientação homossexual, que com seu jeito "alegre" pôs-se a conversar conosco e entre uma palavra e outra tomou conhecimento de minha fé cristã. Um tanto desconcertado, assumiu momentâneamente uma personalidade séria desculpando-se por qualquer brincadeira, revelou que sua mãe era cristã e por isso conhecia um pouco do Cristianismo respeitando a todos os seus adeptos. Respondi que estava tudo bem, pois respeitava sua opção e assim, acredito que o não tão valorizado como outrora, senso de respeito, teve naquele instante seu lugar de merecimento.
A noite segue e a chuva cai. Abrigado, faço uso de um smart-phone para acessar uma rede social, percebendo que em plena madrugada minha mãe publica uma postagem. Me espantou o fato em razão da hora já bem avançada, por isso comentei com meu companheiro de trabalho sobre como ela ainda podia estar acordada. Perguntou-me o que eu queria afinal, se estava trabalhando, o que certamente seria o motivo para esta ainda não ter repousado. Escrevo indagando-a e ela me confirma tal pensamento, alegando permanecer acordada para velar por minha vida. Que palavras posso ter para descrever o significado disto? Ela pergunta se estou bem e diante de uma resposta afirmativa diz que vai então dormir um pouco.
A natureza deste ato me encheu de felicidade. Mas bem próximo de mim havia alguém cujos olhos revelavam um sentimento adverso, parecia perdida, estava arrasada por uma noite que deveria ser no minimo divertida.
Tratava-se de uma jovem cujos sentidos afetados pelo álcool, acabara de vivenciar uma relação cujo envolvimento não mais se deu além do que sexo. Restou-lhe a volta para casa, amargurada e levando sobre si o peso humilhante da culpa pelo ato impensado.
Tudo isso aconteceu em uma noite de carnaval.
Pode até parecer que esteja atrasado, tendo em vista de que o carnaval já é assunto passado e a "bola da vez" é a copa do mundo de futebol no Brasil. Mas minha abordagem na verdade não é sobre esta festa influente (podendo esta ser substituida por outra qualquer), e sim sobre quem somos ou como voltamos para casa ao seu final.
Meu serviço terminou e eu voltei para casa. Retornei com o respeito que desejo, feliz pela importância que tenho diante dos que para mim são importantes e com leveza na alma por não cometer nada que pudesse me arrepender amargamente.
Conscientemente precisamos saber que toda festa tem começo e fim. Nos preparamos para o início, será que estamos preparados para quando ela terminar?

Marcus Bittencourt

Imagem: http://juniorleal.flogbrasil.terra.com.br/foto18009585.html

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